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Elevador da Glória. Investigação criminal só deverá estar concluída no próximo ano
As perícias técnicas só devem terminar em novembro, mas o Ministério Público ainda terá de analisar os resultados e apurar eventuais responsabilidades criminais. O DIAP de Lisboa estima que o despacho final do inquérito só possa ser conhecido até ao final de março do próximo ano.
Um ano depois do descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, ainda está em curso a investigação criminal e o despacho final só deve ser conhecido dentro de seis meses.
Em nota enviada às redações, a Procuradoria-geral da República informa que a investigação, decorreu "em período de férias judiciais" e, neste momento, "aguarda a conclusão dos ensaios e peritagens técnicas que se prevê que deva ocorrer no próximo mês de novembro."
Esta quinta-feira, assinala-se um ano que aconteceu o descarrilamento do Elevador da Glória, em Lisboa, e provocou a morte a 16 pessoas e feriu outras 22, sendo turistas, a maioria das vítimas.
Face à ausência de respostas, o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa entendeu "dar nota pública sobre o andamento da investigação bem como sobre o prazo previsto para a conclusão do inquérito", pode ler-se no comunicado.
Depois de conhecidos os resultados, a fase seguinte é a de "análise minuciosa dos factos", que será acompanhada de uma "avaliação criteriosa sobre a suficiência de indícios” e do apuramento de “eventuais responsabilidades criminais". E por isso, o DIAP Regional de Lisboa estima que o despacho final do inquérito, “salvo algum imponderável”, só possa ocorrer “até ao final do primeiro trimestre de 2027”.
Entretanto, a investigação criminal está a decorrer "de forma independente" daquela que é conduzida pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), embora existam "vários pontos de convergência" entre os dois processos, informou o DIAP.
Desde o início do inquérito foram determinadas perícias destinadas a esclarecer os aspetos técnicos relacionados com o acidente e, posteriormente, verificar a existência de eventuais responsabilidades criminais.
As especificações técnicas, a execução e a metodologia dos exames foram acordadas com o GPIAAF, que acompanha os trabalhos. Segundo o DIAP, esta articulação foi particularmente importante porque alguns dos ensaios realizados são "destrutivos e irrepetíveis", o que impediria a sua duplicação.
O DIAP esclarece ainda que as perícias abrangem várias áreas consideradas essenciais para perceber o que esteve na origem do acidente. Entre elas estão as características, o estado de funcionamento e o comportamento do cabo de tração e da sua fixação ao veículo, bem como os diferentes sistemas de travagem e a forma como estes funcionam em conjunto.
Está também a ser estudada a aderência dos travões aos carris “Z” e às rodas, além do sistema elétrico dos veículos e da sua relação com os sistemas de travagem e com o cabo de tração. A investigação inclui ainda a análise da organização empresarial e dos processos de manutenção e certificação de qualidade e segurança utilizados pela Carris.
De acordo com a nota, o processo revelou-se mais complexo do que inicialmente previsto.
O DIAP explica que foi necessário proceder à "manufatura e/ou aquisição de estruturas e peças necessárias à obtenção de dados fiáveis", seguindo uma metodologia científica previamente aceite pelos intervenientes.